Quanto custa mesmo uma hora de um colaborador na construção?
O salário é só metade da conta. TSU, seguro, subsídios e horas não trabalhadas: como calcular o custo/hora real de um trabalhador da construção em Portugal.
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Resposta curta: perto do dobro do que parece. Um trabalhador com €1.100 de salário base não custa €6 e poucos à hora: custa, tipicamente, mais de €12. Quem orçamenta mão de obra com o valor “aparente” está a oferecer margem ao cliente sem saber. Vamos à conta.
A conta completa, com números
Exemplo ilustrativo para um oficial de construção com salário base de €1.100/mês (14 meses por ano, como manda a lei):
| Componente | Mensal |
|---|---|
| Salário base | €1.100,00 |
| Provisão do subsídio de férias (1/12) | €91,67 |
| Provisão do subsídio de Natal (1/12) | €91,67 |
| TSU da empresa (23,75% sobre salário e subsídios) | €304,79 |
| Seguro de acidentes de trabalho (ex.: 3% na construção) | €38,50 |
| FCT + FGCT (1%) | €11,00 |
| Subsídio de alimentação (€6,15 em dinheiro × 22 dias) | €135,30 |
| EPI, medicina no trabalho, fardamento | €35,00 |
| Custos indiretos (ferramenta, transporte, telemóvel) | €80,00 |
| Custo total mensal | €1.887,93 |
Valores ilustrativos: o prémio do seguro varia com a atividade e a sinistralidade da empresa, e os custos indiretos com a operação de cada um. No subsídio de alimentação usámos €6,15/dia, o limite isento em 2026 quando é pago em dinheiro; pago em cartão-refeição, a isenção vai até €10,46/dia, e o instrumento de regulamentação coletiva aplicável pode fixar outro valor. A estrutura da conta, essa, é igual para todos.
O denominador é a segunda armadilha
Dividir o custo mensal pelas 176 horas do calendário (22 dias × 8 horas) é o segundo erro clássico. O trabalhador não trabalha 176 horas todos os meses:
- 22 dias úteis de férias por ano;
- Cerca de uma dúzia de feriados;
- Formação obrigatória, faltas justificadas, consultas, baixas.
Feitas as contas anuais (≈2.080 horas de calendário − férias − feriados), um trabalhador a tempo inteiro rende à volta de 1.800 horas por ano, ou seja, ~150 horas por mês, e é por essas que o custo se divide, porque os custos correm nos 12 meses todos.
O resultado
€1.887,93 ÷ 150 horas = €12,59 por hora.
Contra os €6,25/hora “aparentes” (€1.100 ÷ 176), é um fator de 2,0×. Uma equipa de quatro pessoas durante uma semana numa moradia não custa €1.000 de mão de obra: custa €2.000. Se o orçamento foi feito com o número errado, a diferença sai da margem, silenciosamente, obra após obra.
O que fazer com este número
- Calcule o custo/hora real de cada colaborador, não uma média da empresa. Um servente e um encarregado não custam o mesmo, e as equipas mudam de obra para obra.
- Use-o na orçamentação: os artigos com forte componente de mão de obra são os primeiros onde a margem teórica mente.
- Impute as horas reais à obra real: o cálculo só vale se as horas picadas na obra entrarem ao custo real. É a diferença entre saber a margem no fim do ano e vê-la enquanto a obra decorre.
No Empreitek, esta conta vive na ficha de cada colaborador (taxas legais, subsídios, seguro e uma tabela aberta de custos adicionais), e o resultado alimenta automaticamente as folhas de horas e o custo de cada obra (como funciona). O ponto picado com geolocalização garante que as horas imputadas são as verdadeiras.
Prefere ver isto a funcionar do que ler sobre isso?
Demonstração de 20 minutos, com os seus cenários. Sem compromisso.